Itiúba, no sertão baiano, tem uma história que começa muito antes da emancipação política do município, em 1935. Este texto reconstrói essa trajetória — do povoamento colonial à sequência de prefeitos que administraram a cidade ao longo do século 20 — com base em fontes históricas locais e em dados oficiais do IBGE.
Antes da vila: povoamento e o nome original
A região onde hoje fica Itiúba era habitada originalmente pelos índios cariacás (também grafados como caricás), povo indígena ao qual a tradição local atribui a origem do nome do município. O território fazia parte de uma sesmaria concedida à família de Garcia D'Ávila, fundador da Casa da Torre, uma das maiores concessões de terra do Brasil colonial.
O povoamento efetivo começou no final do século XVII, com pioneiros vindos de Inhambupe, Alagoinhas e Cachoeira — cidades do Recôncavo e do norte da Bahia que, historicamente, foram ponto de partida para a ocupação do sertão baiano. Desse povoamento nasceu o povoado que recebeu o nome de "São Gonçalo do Amarante da Serra de Itiúba", em referência à serra ao pé da qual o núcleo urbano se formou. Mais tarde, esse mesmo núcleo passaria a ser identificado como Água da Pedra, nome pelo qual a localidade era conhecida quando foi reconhecida como arraial, em 1880.
A emancipação de 1935
Depois de décadas como distrito vinculado a Queimadas, o povoado alcançou a emancipação política em 17 de janeiro de 1935, por decreto estadual que criou o município de Itiúba. A relação entre os dois municípios — Itiúba e a "cidade-mãe" Queimadas — é abordada com mais detalhes em Queimadas-BA: a cidade-mãe de Itiúba antes da emancipação.
O primeiro prefeito foi Belarmino Pinto de Azeredo, nomeado para conduzir a transição do novo município ainda em 1935. Ele voltaria ao cargo, agora eleito, em três outros mandatos ao longo das décadas seguintes — um dos nomes mais recorrentes na história política de Itiúba.
O "surto de progresso" dos anos 1930
Segundo o registro histórico local, o período entre 1934 e 1940 ficou marcado como um "surto de progresso" para o novo município: foram instalados os primeiros serviços de energia elétrica, cinema e rádio, além de pequenas indústrias locais. Ainda sob a gestão de Belarmino Pinto de Azeredo, a cidade ganhou suas primeiras ruas calçadas, um viaduto, prédios escolares e estradas — a infraestrutura básica que sustentaria o crescimento urbano nas décadas seguintes.
A Segunda Guerra Mundial e a estagnação
O avanço foi interrompido pelos efeitos da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). A falta de abastecimento de combustíveis encareceu os bens de consumo e elevou o custo de vida, freando o ciclo de desenvolvimento que a cidade vinha experimentando. Foi também nesse período que as eleições municipais foram suspensas em todo o país, e Itiúba passou a ser administrada por prefeitos nomeados — Augusto Soares de Moura (1941-1942) e Heitor de Souza Dantas (1943-1946) — até a retomada do processo eleitoral no pós-guerra.
A retomada nos anos 1950 e a sucessão de prefeitos
Com o fim da guerra, o comércio local se estabilizou ao longo da década de 1950. Melhorias nas linhas férreas da região passaram a permitir que jornais chegassem à cidade com regularidade, um sinal do reencontro de Itiúba com o desenvolvimento interrompido pelo conflito mundial.
Nas décadas seguintes, a prefeitura passou por uma sucessão de nomes eleitos pela população: Benedito da Silva Pinto (1951-1954), Wagner Melo Santos (1959-1962), Antônio Simões Valadares (por dois mandatos, entre os anos 1960 e 1970), Virgílio Rodrigues de Souza (que administrou o município em três mandatos distintos, entre as décadas de 1960 e 1980) e José Batista de Oliveira (1977-1982), entre outros. Já no fim do século 20 e início do 21, os registros históricos locais apontam nomes como Antônio Manoel Neto (dois mandatos, nas décadas de 1980 e 1990), Sandro Vespasiano (1993-1996), João Antônio da Silva Neto (2001-2004) e Cecília Petrina de Oliveira, eleita e reeleita para o período de 2005 a 2012 — a mesma Cecília que, sob o título de "Dra. Cecília", concorreria décadas depois, em 2024, à prefeitura novamente.
Itiúba no século 21
A trajetória política de Itiúba nos anos mais recentes — incluindo o resultado da eleição municipal de 2024, vencida por Zé do Rádio (MDB) para o mandato 2025-2028 — está detalhada em eleições municipais de 2024 em Itiúba e em quem é o prefeito de Itiúba. Em termos populacionais, o município seguiu crescendo de forma moderada: o Censo do IBGE de 2022 registrou 33.872 habitantes, com estimativa de 35.490 para 2025.
Itiúba hoje
Quase nove décadas depois da emancipação, Itiúba manteve o perfil de município do sertão baiano com economia de base agropecuária, ao mesmo tempo em que preserva marcos históricos herdados desse período de formação, como o próprio Obelisco do Bendegó, erguido ainda em 1888. Um panorama mais amplo do município atual está reunido em Itiúba-BA: guia completo do município.
Perguntas frequentes
Quando Itiúba se tornou município? Em 17 de janeiro de 1935, por emancipação de Queimadas.
Quem foi o primeiro prefeito de Itiúba? Belarmino Pinto de Azeredo, nomeado em 1935 e depois eleito para outros três mandatos.
Qual era o nome do povoado antes de virar cidade? Foi fundado como "São Gonçalo do Amarante da Serra de Itiúba" e depois ficou conhecido como Água da Pedra, antes de ser reconhecido como arraial em 1880.
De que município Itiúba se emancipou? De Queimadas.
Fontes
- Os Prefeitos do Município — Itiúba do Meu Tempo, documentado por Hugo Pinto de Carvalho, consultado em setembro de 2026.
- IBGE Cidades — Itiúba (BA), consultado em setembro de 2026.
- Itiúba – Wikipédia, consultado em setembro de 2026.


